O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) assinou nesta terça-feira (21) a nova portaria que regulamenta o trabalho em feriados no comércio. A portaria consolida o entendimento alcançado no Grupo de Trabalho do Comércio Varejista e mantém a exigência de que o trabalho em feriados no comércio dependa de autorização prevista em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), conforme determina a Lei nº 10.101/2000. Ao mesmo tempo, restabelece a autorização permanente para uma série de atividades consideradas essenciais ou de interesse público, que poderão funcionar sem necessidade de negociação coletiva. Construída ao longo de meses de negociação entre representantes do governo, empregadores e trabalhadores, a norma contou com participação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e busca ampliar a segurança jurídica para empresas e empregados, além de estabelecer critérios mais claros para o funcionamento das atividades comerciais nessas datas. Entre as atividades autorizadas permanentemente para funcionar em feriados estão: Para os demais segmentos do comércio, permanece obrigatória a negociação coletiva para autorizar o trabalho em feriados. Solução para municípios sem sindicato Outro ponto incorporado à portaria trata das localidades onde não existe sindicato representativo da categoria. Nesses casos, a negociação poderá ser conduzida por entidades sindicais de grau superior, como federações ou confederações, evitando que empresas fiquem impossibilitadas de celebrar instrumentos coletivos para funcionamento em feriados. A medida foi uma das propostas apresentadas pela CNC durante as discussões. O que muda para empresas e trabalhadores Além de disciplinar as autorizações para funcionamento do comércio, a nova portaria determina que futuras inclusões ou exclusões de atividades com autorização permanente deverão passar por consulta tripartite, envolvendo representantes do governo, empregadores e trabalhadores. O objetivo é evitar alterações unilaterais e garantir maior estabilidade regulatória. Para o setor empresarial, a medida encerra um processo de debates iniciado após a publicação da Portaria nº 3.665/2023 e representa um avanço ao conciliar a valorização da negociação coletiva com a necessidade de funcionamento de atividades essenciais, reduzindo a insegurança jurídica enfrentada pelo comércio nos últimos anos. Com informações do Portal do Comércio
Contador do futuro: as 5 competências que vão definir os profissionais mais preparados
Domínio da Reforma Tributária, inteligência artificial, análise de dados e atuação estratégica estão entre as habilidades que ganham espaço na rotina da contabilidade. 25/07/2026 10:00Atualizado há 7 horas A rotina dos profissionais da contabilidade passa por uma transformação que vai além da adaptação a novas normas fiscais. O avanço da tecnologia, a implementação da Reforma Tributária e o aumento da demanda por informações estratégicas estão redefinindo o perfil esperado do contador. Nesse cenário, dominar apenas as obrigações acessórias já não é suficiente para atender às necessidades das empresas. Nos próximos anos, a atuação contábil tende a combinar conhecimento técnico, capacidade analítica, domínio de ferramentas digitais e visão de negócios. A evolução da profissão exige preparo contínuo para interpretar mudanças legislativas, apoiar decisões empresariais e incorporar novas tecnologias ao dia a dia dos escritórios e departamentos contábeis. Mais do que acompanhar alterações na legislação, o desafio será transformar informação em estratégia e gerar valor para clientes e organizações. 1. Atuação consultiva ganha espaço nas empresas A função do contador vem se tornando cada vez mais estratégica dentro das organizações. Além do cumprimento das obrigações fiscais, trabalhistas e contábeis, cresce a expectativa de que o profissional participe das decisões relacionadas à gestão financeira, ao planejamento tributário e à análise dos resultados do negócio. Esse movimento amplia a necessidade de compreender indicadores, avaliar riscos e interpretar dados capazes de auxiliar empresários e gestores na tomada de decisões. Na prática, o conhecimento técnico continua sendo essencial, mas passa a ser complementado por uma visão mais ampla sobre gestão e desenvolvimento dos negócios. 2. Reforma Tributária exigirá atualização permanente A transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo representa um dos maiores desafios para a contabilidade nos próximos anos. A implantação gradual da CBS e do IBS, as mudanças nos documentos fiscais eletrônicos, a adaptação dos sistemas e a revisão de processos internos exigirão acompanhamento constante das normas publicadas pelos órgãos responsáveis. Além de interpretar a legislação, os profissionais precisarão orientar clientes sobre impactos operacionais, formação de preços, aproveitamento de créditos tributários, contratos e planejamento financeiro. Nesse contexto, investir em atualização técnica deixa de ser uma atividade pontual para se tornar parte da rotina dos escritórios contábeis. 3. Inteligência artificial passa a integrar a rotina contábil Ferramentas baseadas em inteligência artificial já começam a ser utilizadas para automatizar tarefas repetitivas, organizar documentos, analisar informações e aumentar a produtividade das equipes. Embora essas soluções contribuam para reduzir o tempo dedicado às atividades operacionais, elas não substituem a análise técnica e o julgamento profissional exigidos em diversas situações. O diferencial do contador estará na capacidade de interpretar informações, validar resultados gerados por sistemas, identificar inconsistências e transformar dados em recomendações para empresas e clientes. A tecnologia tende a modificar a forma de trabalhar, mas não elimina a necessidade de profissionais qualificados. 4. Dados e indicadores passam a orientar decisões A quantidade de informações produzidas pelas empresas cresce continuamente, tornando a análise de dados uma competência cada vez mais importante para a contabilidade. Relatórios gerenciais, indicadores financeiros, desempenho tributário, fluxo de caixa e projeções passam a fazer parte da rotina de muitos profissionais, que deixam de atuar apenas na apuração de tributos para participar da avaliação dos resultados dos negócios. Esse perfil analítico permite identificar oportunidades de melhoria, apoiar decisões estratégicas e oferecer informações mais completas aos gestores. Quanto maior a capacidade de transformar dados em conhecimento, maior tende a ser o valor percebido pelos clientes. 5. Comunicação e aprendizado contínuo serão diferenciais As mudanças na legislação e na tecnologia acontecem em ritmo acelerado, tornando o aprendizado permanente uma necessidade para quem atua na área contábil. Ao mesmo tempo, cresce a importância da comunicação com empresários, gestores e demais áreas das organizações. Explicar alterações legais, apresentar cenários, esclarecer dúvidas e traduzir informações técnicas para uma linguagem acessível passa a integrar a rotina dos profissionais. Essa combinação entre conhecimento técnico, atualização constante e habilidade de comunicação fortalece o papel consultivo da contabilidade e amplia sua participação nas decisões empresariais.
Reforma Tributária: obrigatoriedade de CBS e IBS nas notas fiscais entra em vigor em agosto
Empresas do regime regular precisam adequar sistemas para incluir os novos campos da Reforma Tributária; falhas no preenchimento podem interromper faturamento e logística Por Rafaela Souza Empresas deverão preencher campos da CBS e do IBS nas notas fiscais A implementação da Reforma Tributária sobre o consumo entra em uma nova fase a partir de 3 de agosto de 2026. Com o fim do período de flexibilização, passa a ser obrigatório o preenchimento dos campos referentes à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) nas notas fiscais eletrônicas (NF-e e NFC-e) emitidas por empresas enquadradas no regime regular. Até agora, a ausência dessas informações não impedia a autorização dos documentos. A partir da nova data, entretanto, a exigência deixa de ser apenas normativa e passa a ser operacional. O sistema autorizador da Secretaria da Fazenda (Sefaz) fará a validação automática das notas fiscais e recusará aquelas que não atenderem às novas regras. Embora a cobrança integral dos novos tributos ocorra de forma gradual, o ano de 2026 foi definido como um período de testes para que o governo avalie os sistemas e consolide as alíquotas definitivas. Nesse intervalo, as empresas devem destacar nas notas fiscais uma alíquota-teste de 1%, composta por 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Na prática, contudo, a fase de transição não elimina riscos operacionais. O advogado Pedro Amorim de Souza, do Martins Cardozo Advogados Associados, afirma que muitas empresas confundem a ausência de penalidades imediatas com a inexistência de consequências práticas. “Existe um risco prático e imediato a partir da data de implementação da obrigatoriedade, pois o sistema passa a rejeitar automaticamente qualquer nota que não traga os campos preenchidos. E a nota rejeitada pode criar riscos para o faturamento da empresa, uma vez que isso atrasa, de forma efetiva, a circulação das mercadorias”, alerta. Segundo ele, os impactos podem ir além da emissão da nota fiscal. Empresas de maior porte tendem a elevar o nível de exigência em suas cadeias de fornecimento. “É bem possível, ainda, que empresas maiores exijam notas corretas de seus fornecedores”, acrescenta. Adequação tecnológica Para as empresas, a adaptação envolve não apenas mudanças fiscais, mas também atualização dos sistemas de gestão. Isso porque as ferramentas precisam estar preparadas para operar com a versão que incorpora o novo grupo de informações e passa a separar as bases de cálculo destinadas à União, aos Estados e aos Municípios. Nátaly Zamaro, especialista em gestão financeira e CEO da Spot Finanças, destaca que a adequação exige uma atuação conjunta entre diferentes áreas da empresa. “A adequação é um processo multidisciplinar que exige integração entre todos os setores envolvidos. A área de TI garante a atualização dos sistemas, o fiscal valida as parametrizações, o financeiro acompanha os impactos nos processos e o comercial precisa compreender possíveis reflexos na formação de preços”, pontua. De acordo com os especialistas ouvidos por PEGN, o desafio tende a ser maior para empresas que ainda utilizam soluções simplificadas ou gratuitas de emissão de notas fiscais, que podem oferecer menos flexibilidade para implementar as mudanças exigidas pela Reforma Tributária. Para Luis Wulff, CEO do Tax Group, empresa de inteligência e tecnologia tributária, limitar a preparação apenas à emissão da nota fiscal pode criar novos problemas de gestão. “O desafio para esses negócios é chegarem à transição focados apenas em evitar a rejeição da nota fiscal, mas operando com o fluxo de caixa, os contratos e a precificação completamente despreparados”, diz. O que as empresas devem fazer antes da obrigatoriedade Os especialistas recomendam que as empresas revisem seus processos para evitar interrupções nas operações quando a nova validação entrar em vigor. Entre as principais medidas estão: A advogada Sueny Almeida, do escritório Veloso de Melo, ressalta que o período de transição deve ser utilizado para corrigir inconsistências e consolidar processos internos. “Quanto antes a empresa identificar e corrigir problemas em seus sistemas e processos, menor será o risco de interrupções operacionais e de passivos futuros”, afirma.
Gestão financeira, compliance e a nova controladoria: como se tornar o braço direito do CEO nas grandes organizações
Descubra a importância da inteligência preditiva e mitigação de riscos fiscais para CFOs e controllers.FINANÇAS O papel do profissional de finanças passou por uma transformação radical na última década. O antigo modelo focado estritamente no registro histórico (bookkeeping) e na conformidade básica cedeu lugar a uma exigência muito mais complexa: a de um arquiteto de negócios. Hoje, o executivo de finanças que se destaca não apenas reporta o passado, mas antecipa o futuro. Neste cenário de alta complexidade regulatória e competitividade de mercado, a Nova Controladoria emerge como o centro nervoso das grandes organizações. Mas o que, de fato, separa um gestor financeiro tradicional daquele que se consolida como o verdadeiro braço direito do CEO? A resposta reside na interseção entre inteligência preditiva, mitigação de riscos fiscais e uma visão 360º do ecossistema do negócio. A Transição do Profissional de Finanças: De Guarda-Livros a Estrategista O mercado corporativo brasileiro é implacável com ineficiências. Estudos e guias salariais de consultorias especializadas em recrutamento executivo, como Robert Half e Assetz, apontam consistentemente que posições de liderança em finanças como Controllers, Diretores de FP&A (Planejamento e Análise Financeira) e CFOs estão entre as mais demandadas. No entanto, o perfil procurado mudou: as empresas buscam profissionais híbridos, que possuam forte base técnica atrelada a uma visão de negócios (business partner). O executivo moderno precisa dominar a inteligência preditiva. Isso significa utilizar a análise de dados financeiros não apenas para justificar resultados anteriores, mas para modelar cenários futuros, orientar políticas de pricing, prever gargalos de fluxo de caixa e alocar capital de forma estratégica. Compliance e Mitigação de Riscos Fiscais como Vantagem Competitiva No Brasil, a complexidade tributária não é apenas um desafio operacional; é um risco existencial para as corporações. É aqui que o profissional moderno de finanças prova seu valor. A controladoria atual atua na mitigação de riscos fiscais de forma proativa. O domínio sobre o compliance deixou de ser uma função burocrática para se tornar uma alavanca de valuation. Um planejamento tributário eficiente e a governança rigorosa garantem segurança jurídica às operações estruturadas (M&A, expansões, internacionalização) e evitam passivos ocultos que podem destruir o valor da empresa da noite para o dia. O executivo que une a performance financeira à segurança jurídica tem assento garantido nas cadeiras de decisão. A União Perfeita entre Segurança Jurídica e Performance Financeira Compreender a contabilidade em sua essência e transitar com fluidez pelas normas de direito tributário exige um perfil interdisciplinar raro. O mercado clama por líderes que consigam traduzir o impacto de uma nova norma contábil global no EBITDA da empresa. Essa expertise multidisciplinar é exatamente o que norteia a formação de alto nível. Um exemplo prático dessa união de competências é personificado no perfil do Prof. Helder Medeiros França, Coordenador Acadêmico do CEFIN da FIPECAFI. Destaque de Autoridade: Conheça a Coordenação do CEFIN Advogado e Contabilista, o Mestre Helder Medeiros França simboliza o perfil híbrido exigido pelo mercado atual. Graduado em Direito (PUC-SP) e em Ciências Contábeis (FIPECAFI), é Especialista em Direito Tributário, Compliance e Planejamento Fiscal (PUC-PR), MBA em Gestão Tributária (USP), Mestre em Políticas Públicas (UFABC) e Doutorando em Direito Tributário (PUC-SP). Com vasta experiência em Consultoria Tributária, foco em Contabilidade, Finanças e Comércio Exterior, o Prof. Helder coordena grupos de pesquisa em temas de vanguarda como Preços de Transferência e Governança Tributária Global. Sob sua liderança, a Pós-Graduação CEFIN traduz a segurança jurídica e a performance financeira diretamente para a sala de aula. Como Acelerar sua Jornada C-Level Para os profissionais que buscam assumir posições estratégicas e suprir essa lacuna do mercado, a escolha da especialização é o divisor de águas. O legado de mais de 25 anos formando líderes notáveis faz da FIPECAFI o ambiente ideal para essa transformação. A Pós-Graduação em Contabilidade, Controladoria e Finanças (CEFIN) foi estruturada com direcionamento prático para as vivências de mercado. O programa une o prestígio dos docentes da FEA-USP à experiência prática de controllers, diretores e executivos C-level que compartilham os desafios reais das trincheiras corporativas. Por que escolher o CEFIN FIPECAFI? O próximo passo para se tornar o braço direito do CEO começa aqui. As aulas da próxima turma iniciam em Agosto de 2026. Não perca a oportunidade de transformar sua carreira e crescer em escala em um dos cursos mais sólidos e tradicionais do mercado. Simule seu investimento agorae descubra as condições exclusivas de matrícula.
Comparativo MEI x ME Qual a diferença?
Conhecer as obrigações do MEI, faz a diferença entre esta tudo ok, ou ter dores de cabeça.✅ Emitir o DAS;✅ Controlar o faturamento;✅ Emitir notas fiscais;✅ Organizar as finanças do negócio;✅ Receber suporte quando surgir qualquer dúvida 📊 Dados Extraídos Aspecto MEI (SIMEI) ME (Simples Nacional) Faturamento Até R$ 81 mil/ano Até R$ 360 mil/ano Tributação DAS mensal em valor fixo DAS calculado conforme receita, atividade (CNAE/Anexo) e Fator R Sócios Não pode ter sócios Pode ter um ou mais sócios ou ser empresa individual Funcionários Pode contratar até 1 empregado Sem limite específico de empregados Obrigações Mais simples e burocracia simplificada Mais obrigações fiscais, contábeis e acessórias 🤔 MEI ou ME? Qual escolher?
CNC reúne lideranças para debater inovação, saúde e mercado de trabalho
Encontro reuniu lideranças do Sistema Comércio para discutir projetos voltados à saúde pública, qualificação profissional, inovação e desenvolvimento econômico. 17/07/2026 11:30Atualizado há 21 horas Tomaz Silva/Agência Brasil A diretoria da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) realizou, nesta quinta-feira (16), uma reunião para discutir iniciativas voltadas ao fortalecimento do comércio, dos serviços e do turismo. Entre os principais temas da pauta estiveram investimentos em saúde, qualificação profissional, inovação e ações voltadas ao desenvolvimento econômico, reforçando o papel do Sistema CNC-Sesc-Senac na promoção da competitividade empresarial e da proteção social. O encontro foi conduzido pelo presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, que destacou as entregas recentes da entidade e apresentou novos projetos voltados ao fortalecimento institucional e à ampliação dos serviços oferecidos à população. Pesquisa destaca impacto do Sesc na saúde Um dos principais destaques da reunião foi a apresentação de um estudo elaborado pela Fecomércio-RJ, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), sobre os impactos da atuação do Sesc na saúde pública fluminense. Segundo o levantamento, o Sesc-RJ realiza cerca de 12 mil mamografias por ano, número que cresceu 68,9% entre 2022 e 2025, percentual superior ao registrado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no mesmo período. A pesquisa também apontou avanços em ações de prevenção, diagnóstico precoce e atendimento à população. Para a CNC, os resultados reforçam a importância das iniciativas desenvolvidas pelo Sistema Comércio como complemento às políticas públicas de saúde. Emprego e qualificação profissional Outro tema debatido foi a formação de mão de obra para atender às novas demandas do mercado de trabalho. A diretoria ressaltou a importância da atuação do Senac na capacitação de profissionais em áreas ligadas à transformação digital, inovação e novas tecnologias, buscando reduzir o déficit de trabalhadores qualificados enfrentado por diversos setores da economia. Os dirigentes também discutiram estratégias para ampliar programas de qualificação profissional e fortalecer a empregabilidade em segmentos como comércio, serviços e turismo. Projeto propõe novo modelo de contratação por hora Durante a reunião com a apresentação do projeto Trabalho Hora Direitos Garantidos (THDG), conduzido pelo presidente da Fecomércio-MG, Nadim Donato, a pauta trabalhista ganhou força. A proposta, que ainda está em fase de estudos e discussão, prevê um novo modelo de contratação por hora trabalhada, com o pagamento de um adicional de 15% e a antecipação proporcional de direitos como férias, 13º salário e aviso-prévio diretamente na remuneração mensal. Segundo os idealizadores, o objetivo é ampliar a formalização do mercado de trabalho, oferecendo maior flexibilidade para públicos como jovens, idosos e profissionais que hoje atuam na informalidade, a exemplo dos entregadores por aplicativo. Outro ponto apresentado foi a utilização do split payment via Pix como mecanismo para recolher automaticamente os tributos incidentes sobre a remuneração. Pelo modelo proposto, os valores destinados ao INSS e aos demais encargos seriam repassados diretamente aos cofres públicos no momento do pagamento do salário, reduzindo riscos de inadimplência e aumentando a transparência das operações. Durante o debate entre os dirigentes da CNC, entretanto, também foram levantados desafios para a implementação da proposta. Um dos principais pontos é a necessidade de alterações constitucionais, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), para viabilizar o novo modelo de contratação. Inovação e transformação digital A inovação apareceu como um dos pilares da reunião, especialmente diante das mudanças tecnológicas que impactam empresas e consumidores. Segundo a CNC, investimentos em transformação digital, automação de processos e modernização da gestão continuam entre as prioridades da entidade. O objetivo é apoiar empresas na adoção de soluções tecnológicas que aumentem a produtividade e melhorem a competitividade dos negócios. A entidade também destacou iniciativas voltadas à integração das federações do comércio e ao compartilhamento de boas práticas entre os estados. Atuação institucional Ao final da reunião, os dirigentes reforçaram que a integração entre saúde, qualificação profissional e inovação continuará orientando a atuação do Sistema Comércio nos próximos meses. Segundo a CNC, o objetivo é ampliar iniciativas capazes de fortalecer o desenvolvimento econômico, gerar empregos e apoiar empresas em um cenário de mudanças regulatórias, tecnológicas e tributárias cada vez mais aceleradas. Com informações do Portal do Comércio
Receita Federal publica novos editais para negociação de débitos em contencioso administrativo
Pessoas físicas e empresas podem aderir às modalidades até 30 de outubro de 2026, com possibilidade de descontos, parcelamento e outras condições previstas nos Editais nº 9 e nº 10. 16/07/2026 09:00Atualizado há um dia A Receita Federal publicou nesta segunda-feira (13) os Editais de Transação nº 9 e nº 10, que permitem a regularização de débitos tributários em contencioso administrativo com descontos e parcelamentos. As adesões podem ser feitas até 30 de outubro de 2026, por meio do Portal de Serviços da Receita Federal, observadas as regras específicas de cada modalidade. O Edital de Transação nº 9 é destinado a pessoas físicas e jurídicas que possuam débitos em contencioso administrativo fiscal administrados pela Receita Federal, desde que o valor não ultrapasse R$ 50 milhões por contencioso administrativo. A modalidade prevê condições de negociação de acordo com a capacidade de pagamento do contribuinte e a classificação do crédito tributário. Entre os benefícios estão o parcelamento em prazo ampliado, a redução de juros, multas e encargos legais para créditos considerados irrecuperáveis ou de difícil recuperação e, nas hipóteses previstas no edital, a utilização de créditos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Os descontos podem chegar a 65% do valor total da dívida. Em situações específicas envolvendo pessoa física, microempresa (ME), empresa de pequeno porte (EPP), cooperativas, entidades beneficentes e demais organizações previstas no edital, a redução pode alcançar 70%. O edital não estabelece valor mínimo de dívida para adesão, apenas o limite máximo de R$ 50 milhões por contencioso administrativo. Já as parcelas possuem valores mínimos de R$ 200 para pessoas físicas e R$ 300 para os demais contribuintes. Já o Edital de Transação nº 10 contempla débitos em contencioso administrativo ou ainda pendentes de impugnação cujo valor seja de até 60 salários mínimos por processo administrativo. Podem aderir pessoas físicas, microempreendedores individuais (MEI), empresários individuais, microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). As condições de negociação variam conforme o número de parcelas escolhido pelo contribuinte: Neste edital, o valor mínimo de cada prestação é de R$ 200. Como solicitar a adesão Os pedidos devem ser realizados pelo Portal de Serviços da Receita Federal, seguindo o procedimento previsto em cada edital. No caso do Edital nº 9, o contribuinte deve acessar a área “Meus Processos”, selecionar a opção “Solicitar Serviço Via Processo Digital” e apresentar o requerimento acompanhado da documentação exigida. Após o envio, o pedido será analisado pela Receita Federal. Já para o Edital nº 10, a adesão é feita na área “Minhas Negociações de Dívidas”, por meio da opção “Negociar um Novo Parcelamento”. O contribuinte deve selecionar os débitos elegíveis, formalizar a negociação e efetuar o pagamento da primeira parcela até o último dia útil do mês em que aderir. O que muda para quem optar pela transação A adesão às modalidades previstas nos Editais nº 9 e nº 10 produz efeitos previstos na legislação e nos próprios editais. Entre eles estão a desistência de impugnações e recursos administrativos relacionados aos débitos incluídos na negociação, o reconhecimento da condição de sujeito passivo dos créditos transacionados e a obrigação de cumprir todas as condições estabelecidas para manutenção do acordo. A Receita Federal reforça que o prazo para adesão às duas modalidades encerra-se em 30 de outubro de 2026. Os requisitos, documentos exigidos e demais condições podem ser consultados nos editais publicados pelo órgão e no Portal de Serviços da Receita Federal.
MEI tem direito à aposentadoria e benefícios do INSS; veja quais e as regras
Contribuição previdenciária paga pelo DAS garante proteção ao microempreendedor e seus dependentes em casos de aposentadoria, incapacidade, maternidade, morte e reclusão. A formalização como Microempreendedor Individual (MEI) vai além da criação de um CNPJ e da regularização da atividade empresarial. Ao recolher mensalmente o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), o empreendedor também contribui para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e passa a contar com cobertura previdenciária. Entre os benefícios previstos estão aposentadoria por idade, auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por incapacidade permanente e salário-maternidade. Os dependentes também podem ter direito à pensão por morte e ao auxílio-reclusão, desde que sejam cumpridos os requisitos legais. O acesso aos benefícios, no entanto, depende da manutenção da qualidade de segurado e, em determinados casos, do cumprimento do período de carência. Quanto o MEI contribui para o INSS? A contribuição previdenciária do MEI corresponde a 5% do salário mínimo e está incluída no valor mensal do DAS. Dependendo da atividade exercida, a guia também pode incluir valores relativos ao ICMS e ao ISS. O recolhimento pela alíquota reduzida garante acesso à cobertura previdenciária, mas, em regra, não permite utilizar o período como contribuição para aposentadoria por tempo de contribuição. Para essa finalidade, nos casos em que as regras previdenciárias admitirem essa modalidade, é necessário realizar a complementação da contribuição em 15%. O que é carência do INSS? A carência corresponde ao número mínimo de contribuições mensais exigidas para a concessão de determinados benefícios previdenciários. Além da carência, o MEI deve observar a chamada qualidade de segurado, condição que mantém o trabalhador protegido pela Previdência Social. Em regra, o microempreendedor que deixa de contribuir mantém essa qualidade por até 12 meses após a última contribuição. A perda da condição pode impedir o acesso a benefícios previdenciários até que os requisitos sejam novamente cumpridos. MEI tem direito à aposentadoria? Sim. O MEI pode ter direito à aposentadoria por idade. Pelas regras gerais aplicáveis após a Reforma da Previdência, a idade mínima é de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. Para as mulheres, são exigidos pelo menos 15 anos de contribuição. Para os homens que ingressaram no Regime Geral de Previdência Social após a Reforma da Previdência, são necessários 20 anos de contribuição. Quem já contribuía antes de novembro de 2019 pode estar sujeito às regras de transição e deve verificar o histórico previdenciário individual. MEI pode receber auxílio por incapacidade? O microempreendedor também possui cobertura em situações de incapacidade para o trabalho. O auxílio por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, pode ser concedido quando o segurado fica temporariamente impossibilitado de exercer sua atividade por doença ou acidente. Em regra, o benefício exige carência de 12 contribuições mensais. A exigência pode ser dispensada em casos previstos na legislação, como acidentes e determinadas doenças. Já a aposentadoria por incapacidade permanente, antiga aposentadoria por invalidez, é destinada aos segurados considerados permanentemente incapazes para o trabalho e sem possibilidade de reabilitação profissional. MEI tem direito ao salário-maternidade? Sim. O salário-maternidade pode ser concedido ao MEI nos casos de parto, adoção, guarda judicial para fins de adoção e outras situações previstas na legislação. Aqui está a principal atualização em relação ao texto-base: desde abril de 2024, não é mais exigido número mínimo de contribuições para acesso ao salário-maternidade. O INSS passou a aplicar a nova regra aos requerimentos abrangidos pelas orientações administrativas publicadas em 2025. O benefício é pago por 120 dias nos casos de parto e adoção ou guarda judicial para fins de adoção. No caso de aborto espontâneo ou previsto em lei, a duração é de 14 dias, a critério médico. Dependentes do MEI também possuem proteção previdenciária A cobertura previdenciária do MEI também alcança seus dependentes. Entre os benefícios previstos estão a pensão por morte e o auxílio-reclusão. A pensão por morte não possui carência mínima, mas exige que o segurado mantenha a qualidade de segurado na data do falecimento ou esteja em situação que preserve o direito previdenciário. A duração do pagamento aos dependentes varia conforme fatores como idade, tipo de dependência, número de contribuições do segurado e duração do casamento ou da união estável. Já o auxílio-reclusão é destinado aos dependentes do segurado de baixa renda recolhido à prisão em regime fechado. Para a concessão, são exigidas 24 contribuições mensais, além do cumprimento dos demais requisitos legais. Atraso no DAS pode afetar benefícios do INSS Manter o pagamento do DAS em dia é fundamental para preservar a cobertura previdenciária do MEI. A inadimplência prolongada pode levar à perda da qualidade de segurado e comprometer o acesso a benefícios como auxílio por incapacidade e pensão por morte, dependendo da situação previdenciária do empreendedor. Por isso, contadores que atendem microempreendedores devem orientar os clientes não apenas sobre as obrigações tributárias do MEI, mas também sobre os efeitos previdenciários do recolhimento mensal. O empreendedor pode consultar seu histórico de contribuições e solicitar benefícios peloMeu INSS ou pela Central 135.
O que os estoicos ensinam sobre dinheiro, risco e decisões financeiras: 4 conceitos para aplicar nos seus investimentos
O estoicismo não ensina qual ação comprar, mas pode ajudar investidores a lidar melhor com volatilidade, risco e disciplina em busca de melhores retornos Mariana Pavão 11 de julho de 2026 9:30 – atualizado às 8:54 Salvar Imagem: IltonRogerio/iStock A princípio, a filosofia estoica pode soar como mais uma coleção de máximas antigas reaproveitadas em posts de motivação. Mas, quando lida na fonte, ela revela lições úteis para todos que investem. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Não por acaso, nomes relevantes do mercado financeiro recorrem a autores estoicos. Ray Dalio, Howard Marks e Nassim Taleb estão entre os investidores que associam sucesso financeiro às mesmas ideias dessa filosofia. Essa conexão não surgiu por acaso. Os estoicos não viveram isolados da vida prática. Zenão de Cítio, fundador da escola, foi um grande comerciante; Sêneca foi senador, investidor e um dos homens mais ricos de Roma; e Marco Aurélio governou o Império Romano. Todos conheciam de perto poder, dinheiro, risco e perda. Confira, a seguir, quatro conceitos estoicos que ajudam a pensar investimentos com mais clareza. 1 – Dicotomia do controle: foque no que depende de você O primeiro ensinamento estoico — e talvez o mais importante — aparece logo no início do Manual de Epicteto: “Entre as coisas que existem, há aquelas subordinadas a nós e as não subordinadas a nós”. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Ou seja, algumas coisas dependem de nós; outras não. Para o investidor, essa distinção é inevitável para o sucesso. Afinal, grande parte das variáveis foge do controle. Leia Também PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR ‘Apostar faz você perder dinheiro’: governo federal determina novas regras para publicidade de bets MELHOR SER TEMIDO… ‘O Príncipe’ dos investimentos: como Maquiavel ajuda a pensar patrimônio e estratégia Não está sob controle do investidor a próxima decisão do Copom, uma crise geopolítica, o humor diário da bolsa ou o múltiplo que o mercado pagará por uma empresa em determinado momento. Mas há variáveis sob controle: a qualidade da análise, a diversificação, o preço de entrada, a frequência dos aportes, o horizonte de investimento e, principalmente, a reação diante da volatilidade. Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital Management, baseia sua estratégia neste conceito. Em seus memorandos, compilados no livro “O Mais Importante para o Investidor”, ele lembra que o investidor não controla a economia, os ciclos de mercado ou o comportamento das ações. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Portanto, segundo o gestor, o foco deve estar em processo, disciplina, gestão de risco e compreensão do que realmente importa no longo prazo. A lição estoica é a de que gastar energia tentando prever tudo costuma ser inútil. O investidor melhora quando separa o que pode controlar daquilo que precisa apenas administrar. 2 – Ataraxia: manter a calma quando o mercado oscila Marco Aurélio escreveu parte de suas Meditações enquanto liderava guerras e enfrentava a Peste Antonina. O livro é, em boa medida, um exercício de autocontrole. Ele falava sobre encontrar a “cidadela interior” — um lugar de calma absoluta dentro da própria mente, independentemente do caos externo: CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE “A mente livre de paixões é uma cidadela: não existe fortificação mais sólida para se refugiar.” A palavra grega ataraxia traz o conceito da imperturbabilidade diante da desordem externa. No mercado financeiro, isso significa não transformar cada oscilação da carteira em decisão impulsiva. Howard Marks resume bem essa armadilha ao tratar da psicologia dos mercados. Em sua coletânea de memorandos, ele escreve que “a emoção leva investidores a fazer a coisa errada no momento errado e deve ser resistida”. A ataraxia estoica é exatamente isso: a capacidade de manter a calma e seguir o plano estratégico original, enquanto a maioria das pessoas opera de forma emocional e pode acabar tomando decisões ruins. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE 3 – Praemeditatio malorum: preparar a carteira para o pior cenário Sêneca, em suas Cartas a Lucílio, escreveu: “o homem que previu a vinda do sofrimento retira a sua força quando ele chega”. O exercício estoico do praemeditatio malorum, ou premeditação dos males, consiste em imaginar cenários negativos antes que eles aconteçam. A ideia não é ser pessimista, mas ter realismo preventivo para blindar a mente e a carteira contra choques. Para os estoicos, o inesperado costuma pesar mais justamente porque nos pega desprevenidos. Nos investimentos, esse conceito é uma ferramenta direta de gestão de risco e o antídoto contra o viés do otimismo linear de achar que o mercado só vai subir. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Nassim Taleb dedica capítulos inteiros a Sêneca, argumentando como ele era um modelo de resistência à instabilidade. Para Taleb, investidores que aplicam essa prática montam carteiras com caixas de oportunidade e segurança justamente para atravessar crises com proteção e, em alguns casos, encontrar oportunidades nelas. 4 – Amor fati: usar perdas como parte do processo Embora a expressão amor fati tenha sido cunhada mais tarde por Friedrich Nietzsche, o conceito é central no estoicismo. Significa “amor ao destino”, ou seja, aceitar a realidade como ela se apresenta e usar os acontecimentos como matéria-prima para agir melhor. Para o investidor, isso talvez seja uma das lições mais difíceis. Afinal, perdas acontecem, teses falham, empresas decepcionam e o timing nem sempre é certeiro. O problema, para o estoicismo, não é errar, mas transformar o erro em negação, culpa ou paralisia. Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, o maior hedge fund do planeta, construiu parte de sua filosofia de gestão em uma ideia muito próxima: “dor + reflexão = progresso”. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Em seu livro Princípios, Dalio defende que encarar a realidade e aprender com os erros é parte central de qualquer bom processo decisório. Aplicado à carteira, esse princípio ajuda o investidor a não tratar perdas como fracasso pessoal ou tentar recuperar rapidamente o prejuízo assumindo ainda mais risco. O investidor com mentalidade mais estoica tende a fazer outra pergunta: o que essa perda me ensina? Por fim, o estoicismo não ensina qual ação comprar, quando vender ou qual será o próximo ciclo de mercado. Também não transforma ninguém automaticamente em um bom investidor. Mas ajuda a lidar com incertezas, manter disciplina e evitar que medo, ganância, ego e pressa tomem decisões no lugar do investidor. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Benjamin Graham, pai do value investing e mentor intelectual de Warren Buffett, dizia que “o maior problema do investidor — e até o seu pior inimigo — é
Arte da Guerra na bolsa: como Sun Tzu ensina a vencer o mercado sem lutar
Entre cálculos, terreno e disciplina, Sun Tzu oferece uma leitura estratégica para quem quer investir sem brigar com cada movimento de mercado Mariana Pavão 11 de julho de 2026 A máxima de Sun Tzu atravessa o tempo: “A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”. Repetida há mais de 2,5 mil anos, de oriente a ocidente, esta breve lição pode também ser, de forma surpreendente, útil para pensar investimentos. https://d4be543b059090c72df6f64a30b5817c.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-45/html/container.html A Arte da Guerra é um dos livros mais finos de qualquer prateleira de clássicos, mas o tamanho engana. Este antigo tratado militar chinês atravessou o mundo como referência para líderes, gestores, esportistas, estrategistas e, por que não, investidores. No mercado, o campo de batalha é outro. Não há soldados nem espadas, mas há estratégias, posições, riscos e capital exposto. Embora não haja sangue, ver o capital no vermelho já é motivo suficiente para tratar a preservação como parte da batalha. Continue lendo para entender como a lógica milenar de Sun Tzu pode ajudar na sua forma de investir. Antes da batalha, faça os cálculos CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE “O general que vence uma batalha faz muitos cálculos no templo antes que a luta seja travada.” Antes de falar de ataques, manobras ou exércitos, Sun Tzu trata de cálculos. Para ele, a guerra é decidida antes de começar e a ignorância é a forma mais cara de derrota. Leia Também PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR ‘Apostar faz você perder dinheiro’: governo federal determina novas regras para publicidade de bets MELHOR SER TEMIDO… ‘O Príncipe’ dos investimentos: como Maquiavel ajuda a pensar patrimônio e estratégia No tratado, ele apresenta as “cinco constantes” da estratégia — a via (ou Tao), o clima, o terreno, o general e o método. Nos investimentos, a premissa é similar: Sun Tzu também diz que “se conheces o inimigo e te conheces, não precisas temer o resultado de cem batalhas”. Benjamin Graham, pai do value investing, tem uma frase com o mesmo espírito: “o principal problema do investidor — e até seu pior inimigo — provavelmente é ele mesmo”. Se conhecer é ter clareza dos objetivos, ter disciplina e saber o próprio limite de risco para evitar decisões impulsivas. Já conhecer o “inimigo” também significa compreender as armadilhas de valor, os ruídos, FOMO e pânico geral do mercado. O general ensina que o inimigo quase sempre dá sinais antes de agir; o problema é que nem todos sabem observá-los. No campo de batalha, esses sinais apareciam no movimento de tropas, pássaros, poeira e terreno. Já no mercado, os sinais de riscos podem aparecer na euforia coletiva, valuations esticados ou nas manchetes enviesadas. A informação útil costuma ser maior do que parece; o que varia é a disciplina de quem observa o inimigo com atenção. A vitória vem antes da luta “O estrategista vitorioso busca a batalha somente depois que a vitória já foi conquistada.” Para o mestre chinês, a invencibilidade depende de nós; a vitória, do adversário. O bom estrategista não entra em qualquer combate — ele só avança quando a configuração já está a seu favor. Nos investimentos, isso se aproxima da ideia de assimetria ao buscar operações em que o potencial de ganho supera o risco assumido. É a própria essência da margem de segurança, conceito central do value investing, que defende a compra de ativos com uma folga entre o valor intrínseco e seu valor de mercado. Essa diferença não elimina riscos, mas ajuda a proteger o investidor. George Soros, megainvestidor bilionário, sintetizou essa disciplina ao dizer: “não importa se você está certo ou errado, mas quanto ganha quando está certo e quanto perde quando está errado”. Da mesma forma, Seth Klarman resumiu que é preciso “espaço para estar errado”. A posição deve ser montada para sobreviver ao erro, buscando a vitória antes da luta. Investir de forma inteligente não é estar sempre certo, mas impedir que os erros custem caro demais e permitir que os acertos tenham espaço para multiplicar o capital. Aqui, vale aproximar a ideia de outro conceito da tradição chinesa: o wuwei, ou “ação sem ação”. Não se trata de passividade, mas de agir com tanta fluidez e preparo que o movimento parece natural, sem esforço desmedido. O guerreiro sábio evita a batalha “A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar.” Sun Tzu não romantiza a guerra. Pelo contrário, ele afirma que o combate custa caro, desgasta o reino e destrói vidas e, por isso mesmo, a precisão estratégica é necessária para evitar confrontos desnecessários. Nos investimentos, vencer sem lutar significa evitar batalhas inúteis. Tentar prever cada pregão, girar a carteira a cada notícia, comprar por ansiedade e vender por pânico são formas de desperdiçar capital, tempo e energia mental. John Bogle, fundador da Vanguard, ficou conhecido pelo seu mantra “mantenha o curso”. Para o investidor, essa talvez seja uma das traduções mais práticas de Sun Tzu: ter uma estratégia clara o suficiente para não precisar reagir a cada ruído. A paciência é outro trunfo valioso; como defende Warren Buffett, “a inatividade é um comportamento inteligente”. Isso pode soar contraintuitivo, já que o mercado parece premiar quem sempre faz mais: lê mais relatórios, faz mais apostas, gira mais a carteira e tenta explorar cada oportunidade. Mas Sun Tzu diria que o excesso de ação esgota recursos. https://d4be543b059090c72df6f64a30b5817c.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-45/html/container.html E quando a batalha for inevitável? Sun Tzu aconselhava a “buscar a vitória rápida. Se a vitória tarda, as armas se embotam e o ardor se gasta”. Nos investimentos, o desgaste aparece ao insistir em teses que já se provaram erradas. É preciso rapidez no tempo de reação para estancar perdas, o famoso stop loss fundamentalista. O investidor deve buscar aceitar o erro e mover o capital rapidamente para onde há assimetria. Ler Sun Tzu hoje vale a pena porque ele estimula um tipo específico de pensamento: calmo, sistêmico, analítico, paciente e desconfiado de ações precipitadas. Em tempos de imediatismo, telas piscando e opiniões em tempo real, A Arte da Guerra é um antídoto à impulsividade. Avaliar antes de agir, conhecer antes de se mover, esperar antes de atacar e, sempre que possível, vencer sem lutar. Para investidores, talvez a grande lição esteja justamente na economia de energia. A melhor carteira não é necessariamente a mais brilhante,